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Destaques
05-12-2009

Destaque: Emissões e a Cimeira de “Hopenhagen”


Um dos tópicos a ser discutido nas Cimeira de Copenhaga que tem início no dia 7 são as emissões de CO2 e as obrigações que os países vão impor a si próprios e aos negócios a nível local e global. A nível mundial fala-se nos maiores poluidores e coloca-se a China no topo, como tendo ultrapassado os EUA.

No Público de Novembro deste ano foram publicadas algumas das emissões de C02 por habitante em diversos países do mundo. O resultado foi o seguinte:

País ton de CO2 por habitante
USA 19
Canadá 16,7
UK 9,4
Alemanha 10,2
Itália 8
Rússia 9,8
Índia 8
China 4,6
Coreia do Sul
9,8
Japão 10,2

Vemos que a China tem 4,6 e os EUA 19! Então e a China está o topo? Nesta tabela não há ninguém abaixo da China. Dirão que é a nível do país, o total das emissões. E a pergunta que se faz é: então e a China tem “culpa” de ter mais de 1300 milhões de habitantes? Vamos reduzir a população da China para reduzir as suas emissões, é que reduzir per capita é difícil, ou parece difícil olhando para esta tabela. Quem conhece o país e a forma do seu desenvolvimento sabe que muito pode ser feito, mas quando olhamos para estes valores o último país a quem iríamos pedi alguma coisa seria a China. Então e os EUA? O Canadá? Mesmo a Alemanha e o Reino Unido estão bem à frente. Uma redução de 30 ou 40% nas emissões da América do Norte seria colocá-los onde os outros estão e não um esforço para o que quer que seja!

A Índia tem um nível elevado e olhando para a China vê-se que podem fazer melhor. As recentes medidas indianas para elevar a percentagem de Renováveis na Índia e os projectos de Eficiência Energética vão fazê-los baixar.

As notícias veiculadas tendem sempre a colocar os EUA e a Europa como os “bons da fita”, quando os dados mostram o contrário. Se todos estivessem no nível da China teríamos algum problema? Não queremos assumir os nossos erros e as nossas metas e inacreditavelmente queremos que os outros façam o mesmo que nós quando os “outros” são pobres e designados “em desenvolvimento” por nós. Uma meta de 70% para os EUA e de 50% para a UE seriam lógicos. A China poderia ficar como benchmark e quando os países desenvolvidos lá chegassem, então reduziria 20 a 30% e estabeleceria novas metas para o resto do mundo! Custa a crer que a China seja o benchmark, mas de facto é quando olhamos para os números!

O PER espera que em Copenhaga se faça realmente alguma coisa para mudarmos o estigma do mundo em desenvolvimento, que os países desenvolvidos caminhem para a sustentabilidade e que encontrem os em desenvolvimento no caminho, pois estão bem mais avançados na questão da sustentabilidade que nós!


PER


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