Num comunicado, o Serviço Energético
Sustentável para Povoações Rurais Isoladas - Energias Renováveis
(SESAM/ER) indica que a comunidade piscatória de cerca de 300
habitantes, no sul de Santo Antão, se tornou a primeira a receber
energia em regime continuado a partir de uma fonte de energia
renovável.
Em testes desde 06 deste mês, a
Central Eléctrica Fotovoltaica de Monte Trigo está equipada com 210
módulos, 48 baterias, inversores, centrais de gestão de fornecimento e
armazenamento e painéis indicativos do estado do sistema.
A
central poderá produzir até 200 kilowatts/hora no período solar, tendo
em conta que as exigências energéticas nos primeiros dias de testes foi
de metade.
O projecto, assegura a SESAM/ER no
documento, é financiado em 75 por cento pela União Europeia (UE), com
os restantes 25 por cento a serem disponibilizados pela Câmara de Porto
Novo que, segundo o comunicdo da empresa, ainda não o fez.
O
projecto tem estado a ser executado por um consórcio de empresas e
instituições cabo-verdianas, francesas e espanholas, de que faz parte
também o Departamento de Mecânica do Instituto Superior Técnico (IST) de
Portugal.
A SISAM/ER fala de uma autêntica
revolução na povoação, uma vez que o projecto está a diminuir
"consideravelmente" os custos domésticos fixos, dando como exemplo os
frigoríficos a gás que estão a ser substituídos por eléctricos a um
preço baixo.
O projecto contempla uma série
de actividades de sensibilização e instrução à população local,
sobretudo na forma como utilizar a energia de forma racional e
eficiente, adianta a empresa, salientando que cada usuário recebeu, em
média, três lâmpadas de baixo consumo.
A
segunda fase do projecto prevê alargar o abastecimento de energia
totalmente renovável à localidade de Tarrafal de Monte Trigo, próximo de
Monte Trigo, que conta com 900 habitantes.
O
sistema eléctrico será unificado em breve e, até 2020, será ligado à
vizinha ilha de São Vicente, através de um cabo submarino.
Actualmente,
a central diesel, que permanecerá activada para precaver situações de
emergência, funciona somente sete horas por dia com custos que a
edilidade local considera "insustentáveis".
O
Governo cabo-verdiano tem estado a apostar nas energias alternativas
para diminuir significativamente o custo com combustíveis fósseis, tendo
como meta, até 2020, a produção de 50 por cento das necessidades
energéticas a partir de fontes limpas, estando actualmente essa
percentagem nos 25 por cento.
Os quatro
parques eólicos já em funcionamento, que se juntam às duas centrais
fotovoltaicas, permitem uma poupança anual em combustíveis de cerca de
12 milhões de euros, o que representa 2,3 por cento do Orçamento do
Estado (OE) para 2012.