31/05/2010
Entrevista: Eng. João Wemans*
O PER fez uma entrevista com a WS há 3 anos, que balanço faz da presença da WS no mercado durante esse período?
Nos últimos três anos a WS Energia passou de uma realidade de start-up tecnológica para ser no presente uma das principais empresas do fotovoltaico a nível nacional e com presença em Itália, Espanha, USA e Brasil.
O balanço é portanto muito positivo ao terem sido ultrapassados todos os nossos objectivos de lançamento constante de produtos inovadores, de volume de negócios e de internacionalização.
Quais os factores marcantes desse percurso?
Para uma empresa em forte crescimento é crítico que se reúna uma equipa forte e ambiciosa e que se criem parcerias estáveis e rentáveis com os líderes nas várias áreas complementares ao negócio central.
A par dos apoios e prémios iniciais, penso que foram estes dois factores que mais marcaram o percurso da WS Energia no passado e que continuaram a ser a principal aposta no futuro.
Que conselho deixa a empresas nacionais que estejam a pensar criar e lançar os seus próprios produtos ou soluções?
Da nossa experiência posso dizer que é crítico que invistam muito na preparação da sua entrada no mercado e apostem nos dois factores que mencionei anteriormente: equipa e parcerias. Por outro lado há bastantes apoios ao empreendedorismo, quer por parte da ANJE, Universidades, QREN, IEFP, entre outros.
Que balanço faz dos primeiros 3 anos do mercado de microgeração em Portugal?
A WS Energia forneceu 3 das primeiras 10 instalações de microgeração a nível nacional. Estamos no mercado desde o início e temos acompanhado de maneira muito activa o seu crescimento. A grande importância da microgeração reflecte-se no facto de representar a quase totalidade de vendas a nível nacional.
Passados estes dois anos, a WS Energia encontra-se expectante mas optimista relativamente ao futuro deste apoio nacional à energia solar.
Em termos dos produtos futuros da WS, o que pode o mercado esperar? Quais as principais inovações tecnológicas?
A WS Energia está a desenvolver o HSUN que irá revolucionar o mercado da energia solar fotovoltaica. O HSUN é um produto baseado em técnicas de concentração solar e em componentes criados pela WS Energia que permitirá produzir energia eléctrica ao mesmo preço que recorrendo a combustíveis fósseis. Este projecto é financiado e apoiado pelo QREN, representando um investimento total de mais de 800.000 euros.
A concentração elevada não é uma área que atraia a WS?
A WS Energia tem competências e avaliou todas as áreas da concentração solar. Do nosso estudo técnico-comercial concluímos que a concentração elevada é uma tecnologia de grande interesse a nível teórico mas a experiência prática revela pouca fiabilidade. Sendo assim, a média concentração foi considerada mais interessante na medida em que significa maior bancabilidade e segurança para o investidor com a mesma redução de preço da energia.
Nos concursos para atribuição de potência para projectos de CPV, a WS não está nos seleccionados. Quer fazer algum comentário?
O projecto apresentado pela WS Energia ficou em primeiro lugar no que diz respeito ao projecto onde tecnologia é aplicada pela empresa detentora da mesma, não tendo sido no entanto alvo da pré-selecção por parte da comissão eleita pela Direcção Geral. Consideramos que se tratou de um concurso bastante interessante para o país e esperamos que outros do mesmo cariz se possam repetir.
Pensamos que é crítico para o fotovoltaico e economia nacional apostar na disseminação rápida das tecnologias emergentes se queremos acelerar a curva de aprendizagem e concorrência na concentração solar.
Quais os objectivos da WS para os próximos 3 anos?
Em termos do I&D, a WS Energia terá um produto que permitirá produzir energia eléctrica ao mesmo preço que a que seria produzida caso se recorresse a combustíveis fósseis. Em termos de vendas a WS Energia pretende crescer pelo menos ao mesmo ritmo, ultrapassando assim os 100 M€ nos próximos 3 anos.
Qual a perspectiva do futuro do mercado do fotovoltaico em Portugal?
O mercado do fotovoltaico em Portugal está a evoluir com base na experiência recente da microgeração. O pilar deve continuar a ser a microgeração, devendo no entanto ser alargado assim que possível e de maneira clara a longo prazo o apoio ao mercado de minigeração e aos projectos de concentração solar.
Qual a opinião da WS sobre a estratégia para as energias renováveis inserida na ENE2020?
O objectivo dos 1.500 MW em 2020 é um objectivo ambicioso do governo português e que representa uma grande aposta na energia solar. Consideramos que é mais do que pertinente este incentivo e que a nível nacional temos a capacidade industrial para atingir este objectivo. A WS Energia tem em vista este objectivo e acredita que tem os produtos para a contribuir activamente para esta meta com maiores benefícios para Portugal.
* Responsável pela WS
PER