01/02/2008
Revista 2007Janeiro Começámos o ano pelas previsões da Agência Internacional da Energia e a comparação entre os diferentes Energy Outlooks e outros estudos publicados pelo Greenpeace por exemplo. As Renováveis têm um futuro limitado segundo alguns estudos e um grande futuro segundo outros. No PER somos da opinião que têm um papel fundamental, são capazes de mudar o paradigma económico mundial e restabelecer equilíbrios fundamentais a nível do planeta, mas os interesses instalados têm um poder disruptivo e capaz de impossibilitar a concretização deste propósito. Esperamos que a previsão do Greenpeace de ter “em 2050 70% da electricidade e 65% da energia térmica serem produzidas por fontes renováveis” seja verdade já em 2020! Outro tema interessante foi o estudo publicado pela CEPI (Indústria Papeleira Europeia) que alerta para a competição emergente entre o negócio da madeira e do papel versus o dos biocombustíveis. Quais as consequências para os preços e para o desenvolvimento dos biocombustíveis? Este tópico a par da competição entre alimento e produções agrícolas inteiramente destinadas à produção de biocombustíveis preocupam os decisores e correctamente. Os biocombustíveis sempre foram pensados como complementos e não como primeira utilização. Assim nunca devem ser fomentados os biocombustíveis como primeira utilização seja do que for. Uma decisão errada neste campo pode levar a problemas graves e mesmo a guerras no futuro. Comparamos a vontade do Primeiro Ministro em atingir os 45% de electricidade renovável no inicio do ano com os 39,7% atingidos no final deste ano (noticiado pela agência Lusa em 11.01.2008). Acrescente-se que o objectivo era para 2010! Estamos de parabéns e há que aumentar cada vez mais essa cota parte. A Comissão Europeia (CE) anunciou que Portugal não iria conseguir alcançar o seu objectivo de produzir 39% do consumo bruto de electricidade a partir de energias renováveis em 2010. Temos a honra de dizer que já o ultrapassámos e em 2007. No entanto foi um ano mau em termos de chuvas, o que pode dizer que o nosso portfolio de renováveis está mesmo a dar os seus frutos. Uma notícia que nos deixou particularmente satisfeitos foi o facto de o mercado norte-americano vir a representar no médio prazo cerca de um terço do negócio das energias renováveis do grupo EDP. O mercado europeu com “feeding tariffs” pode potenciar a exportação de tecnologia e conhecimento no uso de energias renováveis para o mercado norte-americano. A Europa tem obrigação de ser o líder nesta área! O tema das alterações climáticas não poderia faltar e os Investigadores do instituto britânico Met Office que corroboraram a previsão feita pela Universidade de East Anglia de que o ano de 2007 poderia ser o mais quente desde que há registos devem-se andar a questionar onde se enganaram. Foi um ano quente, mas não o mais quente. As catástrofes em Inglaterra fizeram-se sentir mas devido às cheias e não ao calor intenso. Fevereiro Os investimentos na produção descentralizada de electricidade nomeadamente o da microgeração estavam parados pelo Decreto-Lei nº 33-A/2005, que foi mudado no final do ano. Os cerca de 450 milhões de euros em investimentos parados só no sector da mini-hídrica, podem estar para avançar já em 2008. O Pós Quioto foi também alvo de atenção e a EU manifestou a sua vontade em avançar com a redução de 20% das suas emissões de gases com efeito de estufa independentemente da vontade de outros estados. Por isso, para a segunda fase de Quioto, entre 2012 e 2020, vai propor aos países desenvolvidos que reduzam 30% dos gases. Sabemos hoje que da cimeira em Bali pouco ou nada saiu em termos concretos (CO2 saíu bastante devido ao ar condicionado), mas temos um acordo para pós-Quioto. Ficamos a saber que 10% dos combustíveis consumidos na UE terão que ser obrigatoriamente biocombustíveis, num horizonte de pouco mais de uma década. Assim o decidiram os ministros dos Transportes Telecomunicações e Energia. Esperamos agora por ver quais as formas seleccionadas para a sua produção e quais os seus impactos. A empresa sueca Vattenfall elaborou um plano onde demonstra que quase metade de todas as medidas necessárias para “darmos a volta” às alterações climáticas pagam-se no curto e médio prazo. Quem não investir agora pagará uma factura muito mais dispendiosa no futuro. Esta foi uma das conclusões do Relatório Stern e parece ser ponto assente nos meios industriais, nomeadamente ligados às grandes petrolíferas e à produção energética. Esta ideia até hoje vinculada apenas pelos meios académicos ou ecologistas é com agrado nosso noticiado como percepção actual, o que é excelente! O Comissário Europeu para o Ambiente Stravos Dimas não obrigou a Indústria Automóvel a ser mais verde. O objectivo inicial de 120 gramas de CO2 por Km até 2012 foi abandonado com os novos dados que revelaram que os fabricantes de automóveis não tinham ainda atingido objectivos voluntários estabelecidos há 10 anos. O valor de 100 gramas de CO2 por Km que deveria ser já um standard actual continua a nem sequer estar no horizonte e além disso assistimos à vitória do lobby automóvel para não reduzir as emissões promovendo desenvolvimentos nos motores e nos veículos. Março A EDP anunciou a promoção da eficiência energética ao longo deste ano e inclui 12 projectos dirigidos aos seus clientes residenciais, comércio, serviços e indústria. Ao todo, irão ser aplicados 10 milhões de euros, dois milhões dos quais investidos directamente pela EDP e 8,1 milhões pelo PPEC (Plano de Promoção da Eficiência no Consumo) - promovido pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE). As medidas concretas para os clientes residenciais ficaram-se pelas lâmpadas e os eco-frigoríficos. Boas notícias para todos os portugueses e principalmente os que andam à procura de emprego. O Ministério da Economia afirmou que o investimento total nas energias renováveis deverá atingir 8,1 mil milhões de euros até 2012 e criar 10 mil postos de trabalho directos. Eles que venham! Da EU veio a seguinte notícia: os Vinte e Cinco estão de acordo: vão reduzir, em 20%, as emissões de CO2 até 2020, face aos valores de 1990. E estão dispostos a ir até aos 30%, se os restantes países industrializados aceitarem o desafio. Objectivo: uma redução de 80%, em 2050, a nível mundial. Resta conhecer as medidas e as acções concretas e que o objectivo de 30% seja atingido independentemente do que os outros países fizerem. Registamos com perplexidade a que o Porto, a segunda cidade do país nem sequer tinha uma Agência de Energia, mas já tem: a AdEPORTO. Os objectivos da Agência são muitos e variados: o primeiro será a matriz de consumos energéticos da cidade e a seguir formas de utilizar as Renováveis diminuindo as emissões e os consumos aumentando a eficiência energética. A EDP vai integrar o projecto NanoGLOWA (Nanomembranes against Global Warning), um consórcio onde participam produtores de energia, instituições de investigação, empresas de inovação e a Comissão Europeia (CE), num total de 26. A iniciativa é liderada pelos holandeses da Kema. A central térmica de Sines será um dos locais onde vão ser realizados testes experimentais desta nova tecnologia. O objectivo principal deste projecto de cinco anos é desenvolver, com recurso a nanotecnologias, novas membranas como uma estrutura molecular que lhes confere capacidades adequadas a serem aplicadas em diferentes soluções para a captura de CO2. Abril De Espanha chegou um estudo do Greenpeace que assume cenários de Renováveis a 100% em Espanha sendo para isso necessário investir 0,5% do PIB durante 25 anos. Depois de apresentar o estudo, a Greenpeace pediu ao Governo que assuma o compromisso de cobrir 50 por cento da geração de electricidade com renováveis até 2020 e cem por cento em 2050. O facto de Portugal não ir ser capaz de cumprir Quioto já não é notícia, pois já ultrapassamos os níveis de CO2 permitidos, mas o que ressaltou na notícia publicada pela QUERCUS é o facto já há muito conhecido mas infelizmente também muito esquecido que os incêndios em 2005 foram responsáveis pela emissão de quatro milhões de toneladas em vez de retirar três milhões de toneladas/ano de dióxido de carbono! A nossa floresta e áreas verdes têm de ser protegidas a todo o custo, pois são fundamentais para a renovação do ar e são também uma das formas mais eficientes de absorver o dióxido de carbono. Salientamos uma frase do responsável pela distribuição energética em Portugal – o presidente da REN – proferida num âmbito de uma conferência: “o país tem sido "descuidado" relativamente à instalação de painéis solares térmicos nas habitações, área em que se poderia dar um grande contributo para a poupança energética, sobretudo no aquecimento de águas”. Não deixa de ser estranho que um ex-membro de Governo se pronuncie desta forma sobre algo que deveria ter sido implementado e não foi maioritariamente devido à falta de vontade política! O boom eólico parece querer continuar e para a fase B do concurso para instalação de capacidade eólica de 400 a 50 MW temos 2 consórcios com boas perspectivas de irem a negociações: o consórcio Ventinveste, liderado pela Galp Power, (mereceu a melhor classificação e viria a ganhar o concurso) seguido do Novas Energias Ibéricas, à frente do qual está a Iberdrola (em último lugar, ficou o grupo Vento Norte, controlado pela espanhola Union Fenosa e a italiana Enel). Apesar de estarmos já próximos de atingir os limites de capacidade eólica no continente, seria bom começar a pensar no offshore e quais as áreas interessantes. Temos uma costa difícil, mas com grande potencial! Maio A EDP e a Quercus lançaram no Dia Mundial da Energia, uma ferramenta de pesquisa "online" - a TopTen – (www.topten.pt) para ajudar os consumidores a escolher os equipamentos domésticos mais eficientes. Desconhecemos o impacto de tal ferramenta na escolha dos consumidores, mas consideramos ser uma iniciativa interessante merecedora de destaque Um das conclusões de um estudo elaborado pelo Espírito Santo Research (ESR) refere que Portugal vai ter de investir 6,4 mil milhões de euros até 2010 em energias renováveis, o equivalente a mais de 4% do Produto Interno Bruto (PIB), para cumprir a meta de ter 39% do consumo total de electricidade a partir de energias renováveis (extrapolando para 45% -> 7,4 mil milhões de euros). A eólica representará cerca de 66%, fotovoltaica 13%, hídrica 12%, biomassa e biogás 5%. Neste estudo toda a parte térmica não foi contemplada o que é uma pena, pois o seu impacto é grande e não deve ser esquecido. Salientamos também que as centrais solares térmicas (não fotovoltaicas) poderão ser também uma realidade no mix nacional da renováveis. Segundo os cálculos do presidente da APREN, entre 1995 e 2012 Portugal vai investir o equivalente a 10 vezes a construção de 10 estádios do Euro2004. Só em 2006, foi feito um investimento de 850 milhões em energias renováveis, devendo este valor subir para mil milhões de euros este ano. A APREN afirma que este investimento tem um efeito multiplicador na economia portuguesa de 4,5 vezes. O Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC), reuniu em Banguecoque para aprovar um relatório que propõe medidas para limitar o aumento das temperaturas a uma subida de dois graus. Para alcançar este objectivo, a taxa de crescimento anual seria reduzido em 0,12 por cento a partir de 2030. Dentro das medidas nada de novo, apenas aquilo que todos nós conhecemos. Resta saber quando todos nós (em casa, no emprego, nas férias) vamos começar a pensar que cada um de nós tem de impor reduções nas suas emissões – a sugestão do PER: fazer as contas ao seu consumo e emissões e reduzi-las para 20% até 2010 e ter objectivos concretos para pós 2010. Não esperemos pelo empurrão, sejamos nós a mudar as nossas atitudes! 2007 foi marcado pelo fortalecimento e posicionamento dos interessados no mercado das renováveis ao invés de 2006 em que avançaram imensos grupos utilizando as tecnologias existentes, mas sem investir no conhecimento ou em soluções tecnológicas. Exemplo disso são os projectos de parceria da EDP com o MIT-Portugal nas áreas das energias renováveis, microgeração, redes inteligentes para distribuição de electricidade e dispositivos “facilitadores” de eficiência energética. O objectivo da EDP é investir, até 2010, dez milhões de euros anuais em investigação e desenvolvimento. Quem não ficou atrás foi a GALP Energia com projectos na área dos sistemas energéticos sustentáveis: energia das ondas e produção descentralizada/microgeração. Outras empresas na lista dos interessados são a Efacec, a Martifer, a REN, a Agni-Inc e a Deimos. As empresas comprometem-se a que as suas despesas internas em investigação e desenvolvimento aumentem 50 por cento entre 2007 e 2011. Esperemos para conhecer o impacto! Junho Certas notícias têm o carácter de nos entristecer e até aborrecer por vezes. A ilha do Corvo foi a última ilha dos Açores a ter energia eléctrica - em 1963 - mas recebeu agora uma nova central alimentada a gasóleo, que permite o seu funcionamento automático, sem a presença humana. O que quer isto dizer numa ilha com algumas centenas de habitantes. Qual o custo de levar para lá o gasóleo para alimentar a central? Não serão as renováveis capazes de resolver este problema? Mas o pior veio na mesma notícia: “vai ser construída uma central hidroeléctrica reversível na ilha, alimentada por um parque eólico” para se aumentar a capacidade renovável da ilha. Perguntamo-nos porque se investiu numa central a gasóleo para depois se ir investir em algo verdadeiramente sustentável? Acrescentamos, porque não são já hoje tanto os Açores como a Madeira completamente renováveis em energia eléctrica? Estaríamos hoje apenas a tentar resolver o problema dos transportes com incríveis benefícios em termos de tecnologias e de aplicação das mesmas! Um dos assuntos que nos preocupa é o actual panorama de as renováveis só existirem porque são remuneradas a preços muito acima do mercado. Não quer isto dizer que concordemos com os preços do mercado, porque as externalidades associadas ao consumos de combustíveis fósseis torna essas fontes bem mais caras do que as renováveis. No entanto o objectivo dos subsídios tem e deve ser o de fomentar o desenvolvimento de algo e não para o sustentar por um longo prazo. Esta ideia parece ser também a do ministro Manuel Pinho que afirma: «o nível de subsidiação tem vindo a descer. Os concursos que estão a ser feitos têm dado lugar a verdadeiros ‘leilões’ de tarifas, além de que a evolução tecnológica torna as energias renováveis cada vez mais rentáveis». Isto é de salutar e esperemos que a energia eólica seja a primeira do mix renovável a deixar cair os subsídios. «Portugal importa 15% da energia eléctrica que consome. Com os novos projectos na área das eólicas, dos biocombustíveis e das centrais fotovoltaicas, entre outros, poderemos ser auto-suficientes dentro de quatro ou cinco anos», afirmou o ministro. Acrescentamos que esperemos estar a desenvolver várias indústrias nestas áreas e não apenas a gastar os impostos dos portugueses sem benefícios a longo prazo! As notícias de carácter idiota continuam e nem deveriam merecer destaque nesta revista, mas pensamos poder enviar alguma mensagem relativamente a decisões destas: para comemorar o primeiro Dia Europeu do Vento, Associação Europeia de Energia Eólica decidiu instalar uma turbina eólica em pleno centro de Bruxelas que não vai produzir energia. Com os seus 25 metros de altura, serve apenas para chamar a atenção e será desmontada alguns dias depois. Qual o custo de tal operação? Quais as emissões de cO2 provocada por tamanha estupidez? Invista-se em anúncios nas televisões, na Internet, em e-mails e façam-se contas ao dinheiro e ao custo energético destas acções!!! Ficamos a saber que o Banque Privée Edmond de Rothschild lançou em Portugal um fundo de "private equity" para investir 100 milhões de euros nos próximos dois anos em projectos de produção de energias alternativas em Espanha, estando também a estudar projectos em Portugal. (Atendendo ao tamanho de Portugal em relação a Espanha isto quereria dizer investimentos em Portugal na ordem de 25 milhões de euros…). Este fundo vai trabalhar em projectos em Espanha nas áreas de energia eólica terrestre e marítima, termosolar, fotovoltaica e biodiesel. Estão também a ser estudados projectos em Portugal, França e América Latina. No entanto, o investimento não será realizado directamente no capital de empresas, mas antes em projectos. Referimos que o retorno de tal fundo se prevê ser na ordem dos 25%! Os transportes e as suas emissões é um assunto complexo e merecedor de grande atenção no PER. A revisão do Plano Nacional de Alterações Climáticas não pode escapar à nossa atenção. Salientamos as medidas que fazem parte do caderno de encargos do Ministério das Obras Públicas: a “valorização do ferroviário que, finalmente, vai começar a ter lugar em Portugal”, segundo o ministro do Ambiente Nunes Correia. “Estamos a falar, porventura, de coisas que outros países no limite adoptaram, como por exemplo, impor determinadas taxas na entrada de sítios, particularmente congestionados ou de medidas para levar os carros particulares a transitarem com um maior número de pessoas”, acrescentou. Perguntamo-nos porque destruímos nós a linha ferroviária existente, desactivámos os autocarros eléctricos e os eléctricos (tão procurados hoje pelos turistas que visitam Lisboa e outras cidades) existentes em várias cidades? Será que o ministro se referia ao TGV? Invista-se nos transportes e em títulos de transporte familiares – à semelhança da Alemanha – para que não seja bem mais barato para uma família de 3 pessoas (para não falar em mais) levar o carro do que ir de transportes públicos. Incentive-se o uso dos transportes públicos: bilhetes de concertos, bilhetes para jogos de futebol, bilhetes para eventos de outra natureza que permitam circular na Carris e no metro. Desincentive-se o uso de carros no centro das cidades com bons acessos, restringindo a sua circulação. Devolver a cidade aos cidadãos e não aos carros. Por último fomentar o uso de bicicletas quando o carro não for rei e senhor de todos os acessos! O INETI, através do seu Departamento de Energias Renováveis – DER – conta nos seus quadros com investigadores bastante experientes na área das Energias Renováveis. Um dos investigadores, o Engenheiro Farinha Mendes é crítico em relação à forma como se está a utilizar o fotovoltaico: “os painéis são de baixo rendimento, sendo necessárias grandes áreas de captação e deveriam ser utilizados directamente no local de consumo. Não faz sentido acumular grandes quantidades de energia e depois ter de a transportar para outro lado quando temos energia solar no próprio local de utilização. A solução poderia passar pela instalação de pequenas centrais, nos edifícios, que produziriam energia para o próprio consumo.” O novo decreto de lei: DL363 de 2007 vem tentar mudar esse panorama. Julho Este mês foi marcado por notícias de cariz económico: a Iberdrola aumenta o seu portfolio de renovavéis e os seus lucros nesse sector (curiosamente os seus lucros no negócio do gás baixaram…), mas vai re-estruturar-se para fazer face à dispersão dos negócios por várias regiões do Mundo. A EDP ao adquirir a Horizon Wind System dos Estados Unidos sentiu a mesma necessidade de criar a EDP renováveis de modo a poder ter uma organização única para este sector. A GALP também se propõem a fazer o mesmo e isto demonstra o que referíamos anteriormente: a musculação das empresas para os desafios de mudança! Uma palavra para o “Live Earth” em mês de festivais de música, este decorreu em vários locais do mundo e não podemos deixar de manifestar a nossa preocupação pelas reais consequências de tais eventos. O gasto energético, a ausência de soluções energéticas sustentáveis são factos inegáveis, resta saber quais as vantagens? Maior consciência das pessoas? O incrível aconteceu: um grupo de deputados socialistas propôs que o Parlamento reduza a emissão de gases com efeito de estufa, instalando, se possível, sistemas de produção de energia renovável como painéis solares e escolhendo carros menos poluentes. As medidas estão incluídas num projecto de resolução, que sugere também que o Parlamento avalie anualmente o seu desempenho ambiental e pondere a plantação de árvores para compensar a emissão de gases como o dióxido de carbono (CO2). No PER aconselhamos a distribuição de passes intermodais a todos os parlamentares em detrimento do carro e o fomentar do uso do comboio nas suas deslocações aos distritos de origem. O parque existente no parlamento não deve servir de incentivo ao uso do automóvel! O ego português anda em baixo e notícias que nos dêem novas esperanças e motivos para sorrir são sempre bem vindas: - somos dos países com mais sol da Europa - temos uma costa única com potencial enorme para captação de energia das ondas - temos bons recursos eólicos - temos bastantes florestas que devemos limpar e manter, podendo utilizar a biomassa para produzir energia - produzimos lixo em quantidades consideráveis para que se extraia biogás para utilização nos transportes - A par da maior central fotovoltaica do mundo vamos ter também o maior parque eólico da Europa que compreende a instalação de 120 aerogeradores, para uma capacidade total de 240 MW, distribuídos pelos concelhos de Melgaço, Monção, Paredes de Coura e Valença, prevendo-se a sua entrada em funcionamento em 2008. Agosto O mês das férias por excelência abriu com um pedido do secretário-geral da UNFCCC (Convenção das Nações Unidas para as Alterações Climáticas) em Viena, no início de uma reunião da ONU preparatória da Conferência sobre Alterações Climáticas da ONU do final de ano em Bali (Indonésia) (destinada a conseguir um acordo sucessor do Protocolo de Quioto, que expira em 2012): os causadores das alterações climáticas devem liderar o processo de mitigação, leia-se os países ricos, ditos desenvolvidos. Metas como às da EU em relação às Renováveis são apontadas como exemplos a seguir por outras nações ricas: EUA, Japão e Austrália. Num mês não muito produtivo o Governo tomou uma decisão de agilizar os licenciamentos de projectos de produção de electricidade com base nas Renováveis. Com esta simplificação, os promotores podem antecipar as encomendas de equipamentos e celebrar contratos de financiamento antes de terem a declaração de impacte ambiental (DIA) favorável ou condicionalmente favorável e parecer de conformidade com a DIA. Não precisam também do parecer sobre o RECAPE (relatório de conformidade ambiental do projecto de execução) nem do título de emissão de gases com efeito de estufa ou decisão de exclusão temporária do regime de comércio de emissões para poderem pedir a licença de instalação ou produção. Basta agora que o processo esteja em curso. Esperamos que surpresas posteriores nos DIA não invalidem os investimentos feitos anteriormente. Setembro Com as férias ainda em mente começámos o mês por um discurso do Primeiro Ministro que apesar de ser o Presidente da UE em exercício já desde Julho só agora aparece no PER e nessa qualidade em destaque pela primeira vez. Em Portugal, até 2010, o primeiro-ministro estabeleceu como metas aumentar de 39 para 45 por cento o consumo de electricidade com base em energias renováveis e fazer com que os transportes gastem dez por cento em biocombustíveis. Na UE, a prioridade política é o ambiente apoiada pela realização de um Conselho Europeu em Dezembro dedicado aos temas da energia e do combate às alterações climáticas. A Ventinveste ganhou o concurso da fase B de Energia Eólica e prevê um investimento total de 636 milhões de euros, com instalação de oito parques eólicos em cinco distritos. Na componente industrial, está prevista a criação de 15 unidades fabris da Ventinveste ou de membros do consórcio, com capacidade para produzir anualmente 130 aerogeradores e 267 conjuntos de pás, o que dará lugar à criação de 1300 novos postos de trabalho. Já o tínhamos referido anteriormente, mas foi no mês de Setembro que o decreto-lei nº 363 de 2007 foi aprovado e entrou em vigor. O incentivo à produção de electricidade a partir de micro unidades, que podem passar pelos painéis fotovoltaicos, mini-eólicas, mini-hídricas, cogeração a biomassa ou pilhas de hidrogénio é o seu objectivo, mas vem mudar algumas regras e simplificar o processo de licenciamento que passa a ser "on-line". A remuneração é de 650 euros por MWh (nos primeiros cinco anos, a partir daí aplicar-se-á a tarifa em vigor), mas apenas o excedente pode ser vendido à rede pública, desde que não ultrapasse os 150 kW de potência. Após o licenciamento, a inspecção ficará a cargo da entidade responsável pela inspecção - a Certiel (Associação Certificadora de Instalações Eléctricas) que emite um certificado de exploração. Após essa fase, o consumidor celebra um contrato com o comercializador, por exemplo a EDP, e inicia a venda de electricidade à rede. O decreto-lei prevê ainda um regime simplificado de facturação e de relacionamento comercial, evitando a emissão de facturas e acertos de IVA pelos particulares, que para esse efeito são substituídos pelos comercializadores. O micro-produtor recebe ou paga através de uma única transacção, pelo valor líquido dos recebimentos relativos à electricidade produzida e dos pagamentos relativos à electricidade consumida. A Associação Portuguesa de Energias Renováveis assinalou, em comunicado que Portugal atingiu, em Agosto, 2000 MW de potência instalada em parques eólicos, assegurando 8% das necessidades nacionais. Em 2010 a mesma Associação prevê que possamos atingir os 15%. De Israel chegou-nos um novo desenvolvimento das chamadas fornalhas solares, ou seja células fotovoltáicas de várias camadas capazes de atingir altos rendimentos através de concentração de radiação solar. Um sistema de energia solar construído em 12 quilómetros quadrados no deserto de Negev, em Israel pode equivaler a 1000 MW de potência eléctrica. Estas tecnologias têm sido sempre limitadas por problemas nos materiais e no custo dos sistemas, mas estamos em querer que o Prof. Faiman possa ter descoberto uma solução para o problema. Uma área com poucas notícias tem sido a do software para dimensionar e gerir a o fornecimento de electricidade com a entrada das Renováveis no mix energético. O INESC Porto desenvolveu um sistema de análise a longo prazo da reserva operacional (por natureza uma matéria de curto prazo). O sistema vai ajudar as redes eléctricas de Portugal e Espanha (que contrataram o projecto ao instituto do Porto) a planearem as suas reservas até 2025 e a evitarem situações de falha de electricidade. Permitirá também à Rede Eléctrica Nacional e à Rede Eléctrica Espanhola estimarem o risco da falta de abastecimento e assegurarem o equilíbrio entre eficiência económica (evitar custos com máquinas desnecessárias) e segurança (reduzir o risco de apagões, por exemplo). Outubro Uma boa notícia para os que investiram em equipamentos de Energia Renovável: o Orçamento de Estado de 2008 permitirá aos portugueses deduzir 777 euros no IRS na compra de equipamentos de energia renovável e sem ser obrigatório ter a sua casa já paga, uma vez que o valor não podia ser cumulativo com o pagamento de juros e amortizações na compra de habitação. Serão assim dedutíveis à colecta 30 por cento das importâncias despendidas com a aquisição de equipamentos novos para utilização de energias renováveis e de equipamentos para a produção de energia eléctrica e ou térmica (com potência até 100 kW), que consumam gás natural, incluindo equipamentos complementares indispensáveis ao seu funcionamento. Infelizmente o Orçamento de Estado não traz a redução de 12 para 5 por cento da taxa de IVA aplicada a equipamentos de energias renováveis. Fica aqui o destaque ao Energy Bus, iniciativa desenvolvida pela EDP, em parceria com o Instituto Superior Técnico – IDMEC, e a TerraSystemics, «no âmbito do Plano de Promoção de Eficiência no Consumo de Energia Eléctrica, aprovada pela ERSE – Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos», que partirá de Lisboa e percorrerá o país inteiro, proporcionando aos visitantes uma viagem interactiva, demonstração de novas tecnologias, experiências, painéis informativos, (…), incentivando os portugueses a adoptarem comportamentos mais eficientes e amigos do ambiente. O antigo vice-presidente norte-americano Al Gore e o Painel Intergovernamental das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas vão dividir o Prémio Nobel da Paz de 2007. Questionamo-nos sobre os reais interesses do ex-Vice Presidente Al Gore, mas saudamos o facto de o IPCC ter sido o vencedor do prémio Nobel, não pelo que têm conseguido, mas pelo facto de as consciências dos cidadãos do Mundo estarem mais viradas para o problema dos nossos hábitos e consequências para o ambiente e para as nossas vidas. Terminamos o mês de Outubro com o "Rock in Rio Escola Solar", projecto da organização do Rock in Rio Lisboa 2008, em colaboração com a SIC Esperança, o Ministério da Economia e Inovação e o da Educação. Cada concorrente deveria apresentar projectos que conjugassem benefícios ambientais e sociais habilitando-se a receber bilhetes para o Rock in Rio 2008 e as escolas frequentadas pelos alunos vencedores receberão sistemas fotovoltaicos com uma capacidade de até 3,5 KWp que vão permitir às escolas produzir energia e vendê-la à rede pública, destinando-se a receita obtida a projectos sociais. Novembro O cluster eólico começa a tomar forma e foi inaugurada pelo Primeiro-ministro José Sócrates em Viana do Castelo uma fábrica de pás de rotor, num investimento de 40 milhões de euros, que deverá empregar a curto prazo 510 pessoas. Nesta deslocação, o primeiro-ministro procedeu também ao lançamento da primeira pedra de uma fábrica de torres de betão, outra de mecatronica e uma terceira de aerogeradores. Estas três unidades industriais deverão estar concluídas até ao final de 2008. Estes investimentos são assegurados pelo consórcio Eólicas de Portugal, constituído pela EDP, Finerge, Generge, TP-Térmica Portuguesa e pela Enercon, e que foi o vencedor do concurso para a instalação de 1200 megawatts de potência eólica. Uma notícia sobre Cabo Verde e de manifesto interesse é a vontade do Governo em começar a dotar o arquipélago com as infra-estruturas necessárias para que os recursos naturais comecem a ser rentabilizados imediatamente, em detrimento do poluente e caro "ouro negro". Dezembro Com o Natal e o fim de ano no horizonte iniciámos este mês pela aquisição da Martifer de 2 parques eólicos na Alemanha no valor de 91 milhões de euros (53,1 MW). Estes activos serão consolidados na Eviva SGPS, SA (Eviva), a subsidiária do Grupo Martifer para a área de negócios de Geração Eléctrica. Seguiu-se um artigo publicado por um investigador espanhol acerca do impacto das Renováveis nas bolsas mundiais e no valor das acções das empresas relacionadas com essas tecnologias. Questiona-se sobre a semelhança deste mercado com o boom da Internet no virar do milénio e com as possíveis consequências. Obviamente que nem todas as empresas que estão hoje posicionadas neste sector viverão para contar a história, mas é bom que as metas sejam atingidas e que as tecnologias sejam demonstradas e aplicadas para que um novo paradigma se possa estabelecer e podermos de facto atingir o desenvolvimento sustentável. Pensamos que a maioria dos investidores apenas quer realizar mais valias, mas esperamos que tal como na indústria do ciberespaço fiquemos com tecnologia e soluções que nos permitam viver mais equilibradamente! Balanço final Tal como habitualmente reservamos o último parágrafo para uma comentário global ao ano que terminou. Tratou-se de um ano cheio de eventos na área das Renováveis: a afirmação da eólica como líder nas Renováveis para produção de Energia eléctrica, a agilização dos processos de licenciamento de micro-geração, o reposicionamento e re-estruturação dos players deste segmento e uma séria vontade de aplicar e de ter mais soluções para o mercado com vista a utilizar as Energias Renováveis. Em termos políticos há pontos a salutar, mas ainda há um longo caminho de construção de uma estratégia para o país que seja clara para os cidadãos e empresas. A nível europeu muitos países decidiram-se finalmente por introduzir as “feeding tariffs” nas suas legislações e queremos crer que 2008 vai ser um ano de grande expansão das Renováveis em vários países europeus. A nível mundial o pós-Quioto é fraco, mas já existe, resta ver o que cada país decide fazer e não tanto controlar se o vizinho o faz ou não. Terminamos com algo sobre o PER, sentimos necessidade de mudarmos de imagem e de termos um novo projecto. Crescemos muito ao longo destes 5 anos e queremos continuar a crescer. Assim planeamos para 2008 um novo design com possibilidade de termos mais colaboradores e participações. Assim lançamos um pedido a todos os interessados nestas áreas que queiram participar no nosso projecto que nos contactem! Podem faze-lo pelo seguinte e-mail. Um bom ano de 2008 para todos! PER |